É numa cópia de uma carta do Conde da Cunha, D. José Vasques Álvares da Cunha, ao seu amigo e futuro consogro, Joaquim Pedro Quintela, 1º barão de Quintela, que percebemos a razão deste último ainda não ter legitimado a sua filha natural D. Joaquina Rosa Quintela.
Os casamentos na altura (início do séc. XIX), entre a nobreza e a alta burguesia eram devidamente acertados, com o intuito de preservar a continuidade da família à tona da decência. A rejeição de uma boa proposta de casamento era especialmente mal vista na época, principalmente se o cavalheiro fosse de primeira condição. Podemos imaginar que o “grossos cabedais” do Barão de Quintela seriam sumamente atractivos a grande parte da nobreza mais bem guarnecida de passado do que de futuro.
Diz então na sua carta o conde da Cunha ao barão de Quintela que “Vª Sª muitas vezes me dice, que conhecendo a corrução geral da Nobreza não tinha querido declarar a legitimidade de sua filha, para que lha não pedice pessoa a quem não pudesse negar.”
Sabemos que mais tarde (em 1812) D. Joaquina Rosa foi legitimada, imaginamos que com um noivo decente já à vista, mas nesta correspondência anterior, percebemos que o Sábio Barão queria afastar o seu capuchinho vermelho, com a sua ilegitimidade, dos lobos da corte.
Bem sabia Quintela espantar a clientela!